domingo, 27 de dezembro de 2009


















Chuva

Numa noite de Apollo
O céu mostra tua ira
Entre raios e trovões
As lágrimas inundam a vida

Adubando terra e céus
Aflorando a essencia divina
Molhe todo meu ser - Oh, chuva!
Leve toda a "penumbra" cretina

Sinta a serenidade do sereno
Caia por todo o solo terreno
Afloresca todo tipo de vida
Agua viva, nascente cristalina

Mas hoje já nao sei
Se a água que escorre em meu ser
É da chuva que molha o verde lá fora
Ou são lágrimas, que escorrem da minha visão agora.

sábado, 26 de dezembro de 2009


















Adeus caros caídos!

Minha carne já nao suporta
Toda esta confusão monótona
Em meio as larvas eu me despeço
Deste abismo que me sufoca

Por anos percorri por aquelas bandas
As quais me sangraram com tais lanças
Que machucam pobres seres perdidos
Em um mundo distinto, um ciclo vazio.

Minh'alma já sente a suavidade
De andar por entre estes mares
Lindas vozes inundam o meu ser - sem dor!
Ondas brutas, tragam-me amor

Aqui jáz soterrado
Todo este sentimento amargo
Que um dia me tirou em vida
A serenidade e toda minha alegria.

Mas lembre-se ser amargo
Tudo na vida é um aprendizado
Com pergaminhos de sinceros sorrisos prossigo
Bem longe, deste falso paraíso.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009















Amargo

Por mais que reste esperança
Sinto o gosto da repugnancia
Que aos poucos me mata de ansia
Antes que minha treva sobrecosture esta aliança!

Ouço falas, risos, vejo pessoas
As quais ao meu redor se estremecem tolas
Um insignificante gesto singelo
Uma inferioridade, um flagelo

Quanto mais a angustia em meu peito cresce
Do outro lado minha luz se fortalece
O fim está proximo
O salmo da última prece

Acenda um cigarro, pobre ser desonrado
Petrificado pela ira que envaidece tantos
A vida que morre em meio aos amargos
Cuspes de pobres seres desumanos.

domingo, 13 de dezembro de 2009














Bella morta

Viestes tao calada
Sem rima, sem nada
Teu silêncio me causa arrepios
Doce donzela. Oh fada!

Voou por entre minh'alma
Deixando o sujo de suas asas
Que sangram eternamente em vida
Pobre donzela dilacerada

Tua voz já não se ouve o timbre
Tua asa foi arrancada
Em gestos brutos da vida
De um amor que hoje é o nada

Mera ilusão vazia
Que a guiou por maior parte em descida
Escorrendo junto à lagrima
Que adubou o coração da donzela
Que hoje jáz enterrada

Sob a terra ainda soluça
Uma morte que vive às astúcias
De sentimentos belos - Oh,luz!
Poupe-se do peso da cruz

Morta-viva agonizante
Que em meio à chuva que cai distante
Traz a intensidade de uma vivida ilusão
De um sonhador cansado, assassinado pelo próprio coração.



















Sonho só

Se uma lágrima as pálpebras me inunda
Se um aperto no peito me estremece
Há ainda de haver forças
Para os sonhos que ali se aquece

O que me resta - Oh pobre ser!
É esta saudade do que nao vivi
Como um punhal em meio à carne podre
De algo que já não queima ali

A nostalgia da verdade
De viver, da sinceridade
Da fraternidade, da união
Vêm à tona em meio as lagrimas
Que molham minha face desde então....

Mas aqui é onde o sonho grita
Fazendo brilhar a existência maldita
De um pobre nômade-dos-sonhos
Que em pobres linhas deixa a vida