sexta-feira, 28 de maio de 2010



A deusa do amor e a chaga.

Ao despertar Venus mostra tua graça
Ensolarado dia que as árvores se abraçam
Porém o frio que adormece por dentro o coração
Trazem forças para estas linhas... - decepção!

Como éres vazio sentimento tão sutil
Que deixas a mente dos homens endoidecidas
Atormentam-me tambem em vida
Como um escravo diante de tua sina

Amargura em excesso, frustração em processo
Padecer dos sentidos em meio as maravilhas
Oh vida, hoje já não sou eu quem peco
Devolva-me ao rosto o riso de minhas alegrias

Esperastes desde cedo pela noite fria
Para esconderes este coração da ferida
Não fuja do que te aflinja
A dor que sentes, há pouco, lhe dava vida!

Voe, voe! Sentimento belo e cinza
De fronte ao sol se despedaça em carnificina
Transmutado o entalar da garganta... do peito
Grite para o mundo, liberte teu desespero!

domingo, 9 de maio de 2010




O Piano

O piano soa como a Lua lá fora
A serenidade aquecida em meu peito se aflora
Entre suspiros e sonhos de um lunático
Buscando o meu caminho diante da vida, pressinto o presságio.

De doçuras e braços entrelaçados me alimento
As notas chegam em meus ouvidos junto ao vento
Trazendo o presente do sorriso na face exposto
Alegra o ser amargurado de desgosto.

Ó piano que toca lentamente
Levando-me para outros espaços fora do presente
No passado por entre minha mente se consente
Pelo futuro vejo a harmonia desta música - não se ausente!

Toques árduos mudam-se freneticamente
Com rapidez e desejo o sentimento incandescente
Que dá asas, percorre o céu vermelho demente
A lágrima e o sorriso em mim se amam loucamente!!

terça-feira, 4 de maio de 2010





Insomnia I - Olhos Noturnos

Pelas noites sem fim andei
Passos quietos de pura cautela
Silêncio breu que cobre o céu da Terra
Negras agonizantes sob o despertar do Rei.

Caminhando por entre o frio que congela
Noites de crocitos, vozes na janela
A saudade do descanço que se foi aos quintos
O padecer do ser que vive nos esconderijos.

Tocando tua pele de frigidez tao crua
Estrelas cadentes, astros, a Lua
Sombra que esconde os segredos de Pandora
Bela e intocável brisa perfumada se aflora.

Euforias, gritos, relampejos
Luxúria, lábios, desejos
Águardente, vômitos, morcegos
Nostalgias, tristezas, desapego.

Confidente fostes a boca fria
Com seus martirios, verdades e mentiras
Reflexo negro do Universo em pleno infinito
Aconchegante sentimento, momento decisivo.

Por entre os demais passa despercebida
Muitas vezes alimenta o inconsciente em vida
Levando descanço e paz a outro plano
Súplicas ardentes aos santos anjos.

segunda-feira, 3 de maio de 2010




A Música e a Ferida

A voz que intorpece a visão
Que aguça os ouvidos, aperta o coração
A ferida que grita em meio à escuridão
Do interior de cada ser vivo, ou não...

Enche os olhos de levianas alegrias
Porém tristes risos escorrem à vista
Contorna o extremecer dos nervos pulsantes
Percorre por todo o ser, agora agonizante

As batidas já não são as do órgão negro
Que vive dentro do sentimento desalento
Que por mais fundo que seja, e viva
As rosas com espinhos que te curam as feridas

Porém ao soar da voz consoante
Muda-se o despertar do não vivante
Tornando-o intenso, foraz, atrofiante
Rasgando a derme, sangrando o órgão amante

Já despedaçado aos prantos aqui se clama
Se regenera, renasce e até encanta
Com o lírico vindo de sacerdotisas mundanas
Desperta os sentidos para mais uma dança.

domingo, 2 de maio de 2010





A angústia e o vento...

O sussurro sereno e brisante
Cortante, indeciso, arrepiante
Sacode a vida e os sentidos distantes
Afloresce a chama, o amor, os amantes

A mesma brisa que se cria o ardor
Despedaça certos viveres, sem amor
Que jás frio em pleno explendor outonal
Secando como as folhas caídas naquele quintal

Mas o dia por mais frio e nublado
Entristece com o cinza, desperta para o amarelo dourado
Por mais que se feche, se cale, se martirize
A cicatriz está formando-se, novos tempos felizes

Mas por mais que o ciclo se fecunda
A falta de algo ainda me afunda
A casca que se cria impedindo a vida
Neste instante, despede-se em agonia

Andarás por entre mares e oceanos
Levando o aprendizado, o sofrimento, o espanto!
O grito libertário que sangra o ser por dentro
Porém ensina a lei da vida, o bem e o mal em pleno encantamento