segunda-feira, 3 de maio de 2010




A Música e a Ferida

A voz que intorpece a visão
Que aguça os ouvidos, aperta o coração
A ferida que grita em meio à escuridão
Do interior de cada ser vivo, ou não...

Enche os olhos de levianas alegrias
Porém tristes risos escorrem à vista
Contorna o extremecer dos nervos pulsantes
Percorre por todo o ser, agora agonizante

As batidas já não são as do órgão negro
Que vive dentro do sentimento desalento
Que por mais fundo que seja, e viva
As rosas com espinhos que te curam as feridas

Porém ao soar da voz consoante
Muda-se o despertar do não vivante
Tornando-o intenso, foraz, atrofiante
Rasgando a derme, sangrando o órgão amante

Já despedaçado aos prantos aqui se clama
Se regenera, renasce e até encanta
Com o lírico vindo de sacerdotisas mundanas
Desperta os sentidos para mais uma dança.

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